Não existe um único número mágico para “a idade certa” de tirar a mamadeira e a chupeta — e tudo bem se o seu filho de 1 ou 2 anos ainda usa uma das duas, ou as duas. O que as sociedades de pediatria e odontopediatria sugerem é uma janela: quanto antes a família começar a reduzir, geralmente mais simples é o processo, porque o hábito ainda não está tão enraizado. Para a mamadeira, o ideal costuma estar concluído entre 12 e 18 meses [1]. Para a chupeta, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) considera ideal reduzir por volta de 1 ano [3], mas a referência de “o mais tardar” mais citada por pediatras e odontopediatras brasileiros é por volta dos 3 anos [5]. São duas janelas diferentes, e vale a pena não misturá-las numa única regra.
Em resumo
- Mamadeira: o ideal é concluir a transição para o copo entre 12 e 18 meses [1]; passar um pouco disso não é motivo de alarme, mas quanto mais cedo começar a reduzir, mais fácil tende a ser.
- Chupeta: a SBP indica 1 ano como meta ideal [3]; o limite mais citado como “o mais tardar” por odontopediatria é por volta dos 3 anos [5].
- Os dois hábitos pedem estratégias diferentes — a mamadeira está ligada à rotina alimentar e do sono; a chupeta, ao conforto e à autorregulação.
- Riscos de uso prolongado existem, mas são probabilidades, não sentenças — sempre vale avaliação individual com odontopediatra ou fonoaudiólogo se houver dúvida real.
Por que mamadeira e chupeta pedem estratégias diferentes
É comum tratar os dois hábitos como se fossem a mesma coisa, mas eles cumprem funções distintas na vida da criança — e por isso as janelas recomendadas também são diferentes. A mamadeira costuma estar amarrada à alimentação e à rotina de sono: ela some naturalmente quando o copo entra nas refeições e uma nova rotina afetiva assume o momento de dormir. Já a chupeta cumpre um papel mais ligado à autorregulação emocional — é a forma que a criança encontrou de se acalmar sozinha, o que explica por que a janela considerada aceitável por odontopediatras costuma se estender mais, até por volta dos 3 anos [5], enquanto a recomendação ideal da SBP para reduzir é mais precoce, perto de 1 ano [3]. Entender essa diferença ajuda a não colocar os dois desmames no mesmo cronograma, nem cobrar da chupeta o mesmo ritmo que se espera da mamadeira.
Como reduzir a mamadeira com menos conflito
A transição da mamadeira para o copo costuma começar de forma natural entre 6 e 9 meses, quando o bebê já tem coordenação para segurar e beber em um copo de treinamento, e o processo tende a estar completo entre 12 e 18 meses [1]. Algumas estratégias práticas ajudam a tornar essa mudança menos tensa:
- Reduza um horário de cada vez, começando pelos momentos fora da refeição principal e da soneca, e deixando a mamadeira da hora de dormir por último — costuma ser a mais difícil de soltar.
- Ofereça o copo nas refeições desde cedo, mesmo enquanto a mamadeira ainda existe em outros momentos do dia, para que o copo já seja familiar quando chegar a vez de substituir de vez.
- Crie uma rotina afetiva alternativa para a hora de dormir — um livro, uma música, um colo mais longo — para que a mamadeira não seja a única forma de sinalizar “hora de descansar”. Se sua família já está organizando a rotina noturna como um todo, vale conferir como montar uma rotina de sono para crianças de 1 a 2 anos sem métodos rígidos, já que os dois processos costumam caminhar juntos.
- Mantenha consistência entre quem cuida da criança — se um adulto retoma a mamadeira “para não fazer birra”, o processo tende a demorar mais.
- Celebre os avanços sem transformar cada etapa em uma grande cerimônia; reconhecimento simples e afetivo costuma funcionar melhor do que prêmios elaborados.
O uso prolongado de mamadeira, especialmente à noite ou com líquidos açucarados, está associado a problemas nutricionais, risco maior de ganho de peso excessivo, problemas dentários e possível atraso na fala [1] — sempre como riscos associados, não como algo que necessariamente vai acontecer.
Como tirar a chupeta com menos conflito
A SBP recomenda que a introdução da chupeta só ocorra depois que a amamentação estiver bem estabelecida, e que o uso seja idealmente limitado até por volta de 1 ano [3]. Na prática, muitas famílias seguem com a chupeta além dessa idade — e isso não é incomum nem motivo de culpa. O ponto de atenção maior, segundo pediatras e odontopediatras brasileiros, está em não ultrapassar significativamente os 3 anos, referência citada como limite mais tardio pela odontopediatria [5]. Entre as estratégias de baixo conflito descritas pela pediatria [2]:
- Use reforço positivo — elogiar os momentos em que a criança fica sem a chupeta costuma funcionar melhor do que retirar de forma abrupta.
- Aposte na distração em momentos de tédio ou ansiedade leve, oferecendo outra atividade que ocupe as mãos ou a atenção.
- Explique a mudança antes de aplicá-la, com linguagem simples e adequada à idade — crianças pequenas lidam melhor com transições quando sabem o que esperar.
- Recue se a ansiedade for intensa. Se a retirada estiver gerando sofrimento desproporcional, é razoável pausar e tentar novamente em outro momento [2].
Algumas famílias recorrem a rituais populares de despedida — como “dar” a chupeta para um personagem ou trocá-la por um brinquedo especial. Isso não é uma técnica validada por nenhuma sociedade profissional consultada aqui; é simplesmente uma estratégia popular entre famílias, que pode funcionar bem justamente por explicar a mudança de um jeito concreto para a criança.
Quanto aos riscos: o uso prolongado de chupeta pode interferir na mastigação, na fala, no alinhamento dos dentes e na respiração, e pode também aumentar o risco de otite [3]. Sucção forte e persistente além dos 2 a 4 anos pode afetar o formato da boca e o alinhamento dentário [2], e o uso além dos 3 anos aumenta o risco de má oclusão — uma alteração que costuma se autocorrigir se o hábito for interrompido antes da troca para os dentes permanentes, por volta dos 7 a 10 anos, mas que vale acompanhar com odontopediatra se persistir [4]. Vale reforçar: são associações de risco, não previsões automáticas, e a maioria das crianças abandona esses hábitos de sucção espontaneamente antes da idade escolar [2].
O que evitar
- Evite comparar seu filho com outras crianças da mesma idade — a janela recomendada é uma referência, não uma corrida.
- Evite passar a mensagem de que usar mamadeira ou chupeta “além do ideal” é um erro dos pais; é uma fase comum, e a maioria das crianças resolve isso naturalmente com apoio gentil.
- Evite retiradas abruptas e simultâneas de mamadeira e chupeta — reduzir um hábito de cada vez tende a gerar menos sobrecarga emocional.
- Evite punir ou envergonhar a criança pelo hábito, inclusive na frente de outras pessoas.
- Evite trocar a mamadeira ou a chupeta por telas como forma de distração — isso troca um hábito por outro sem resolver a necessidade de conforto por trás dele. Conduzir essa transição com firmeza afetiva, sem broncas nem constrangimento, tem tudo a ver com como impor limites com empatia.
Quando procurar ajuda profissional
Sinais dentários
Se o uso de mamadeira ou chupeta continuar de forma intensa além dos 3 anos, ou se você notar sinais como dentes da frente não se encostando quando a boca fecha (mordida aberta), dentes projetados para frente ou dificuldade visível para morder, vale marcar uma avaliação com odontopediatra. Esse acompanhamento é ainda mais importante porque, embora muitas alterações se autocorrijam se o hábito parar antes da troca pelos dentes permanentes, isso não é garantido em todos os casos [4].
Sinais de fala
Se o uso prolongado de chupeta ou mamadeira vier acompanhado de atraso perceptível na fala — poucas palavras para a idade, dificuldade para articular sons, ou fala muito diferente da de outras crianças da mesma faixa etária — vale conversar com o pediatra e considerar avaliação com fonoaudiólogo. O uso prolongado aparece associado a possível atraso de fala [1], mas o hábito de sucção raramente é explicação isolada — uma avaliação individual esclarece o quadro.
Quem pode ajudar
O pediatra que acompanha a criança é o primeiro ponto de apoio para orientar o ritmo da transição, considerando o contexto da família. O odontopediatra é indicado quando há sinais de má oclusão, mordida aberta ou uso que persiste além dos 3 anos. O fonoaudiólogo entra quando há suspeita de atraso ou alteração de fala associada ao hábito de sucção. Nenhum desses profissionais espera “o problema estar grave” para atender — uma consulta de acompanhamento, mesmo preventiva, é sempre uma opção válida.
Fontes e revisão
Este conteúdo foi preparado pela equipe editorial do Dicas para Mães com base nas fontes citadas abaixo. Ainda não passou por revisão de odontopediatra ou fonoaudiólogo habilitado.
- HealthyChildren.org (American Academy of Pediatrics) — “From Bottle to Cup: Helping Your Child Make a Healthy Transition”
- HealthyChildren.org (American Academy of Pediatrics) — “Baby Pacifiers & Thumb Sucking: What Parents Need to Know”
- Sociedade Brasileira de Pediatria — “Uso de chupeta: os prós e os contras”
- American Academy of Pediatric Dentistry — “Policy on Pacifiers” (rev. 2024)
- Instituto PENSI / Hospital Infantil Sabará — “Chupeta: pode? até quando?”, Dr. José Luiz Setúbal (CRM-SP 42.740)
