Quando o bebê começa a andar: marcos do desenvolvimento e sinais de alerta

Leitura recomendada

Conteúdo preparado pela equipe editorial com base nas fontes citadas. Ainda não passou por revisão profissional especializada.

Não existe uma idade certa para o bebê dar os primeiros passos — existe uma janela ampla de normalidade, e a maioria das crianças cai bem dentro dela. O maior estudo já feito sobre marcos motores em bebês, conduzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mostra que crianças saudáveis começam a andar sozinhas, em geral, entre 8,2 e 17,6 meses[1] — o “9 a 18 meses” que você ouve por aí é só um arredondamento popular dessa faixa real. Muitos bebês dão os primeiros passos por volta do primeiro aniversário, mas isso é uma referência comum, não uma média obrigatória[3]. O que vale observar não é a data exata do primeiro passo, e sim se o bebê está avançando pelos estágios esperados — e, caso ele ainda não ande sem apoio por volta dos 18 meses, é hora de conversar com o pediatra[2].

Em resumo

  • A maioria dos bebês dá os primeiros passos sozinhos entre 8 e cerca de 18 meses; o número exato medido pela OMS é 8,2 a 17,6 meses, e “9-18 meses” é apenas um arredondamento popular dessa faixa[1].
  • É comum falar em “andar com 1 aninho”, mas isso é uma referência frequente, não uma média estatística — começar bem antes ou bem depois também é normal[3].
  • Antes de andar sozinho, o bebê passa por estágios: ficar de pé com apoio, “cruising” segurando em móveis, primeiros passos soltos e, depois, caminhar com mais confiança[3][1].
  • Andadores com rodinhas não ajudam o bebê a andar mais cedo — podem até atrasar esse marco — e estão associados a acidentes graves, principalmente quedas de escada[4][5].
  • Pés chatos são normais em bebês e na maioria das crianças pequenas; o arco do pé costuma se formar espontaneamente a partir dos 2 anos[7].
  • Se o bebê não anda sem apoio por volta dos 18 meses, ou perdeu uma habilidade que já tinha, vale conversar com o pediatra[2].

A janela normal para os primeiros passos

O estudo de referência mundial sobre esse tema é o WHO Motor Development Study, que acompanhou bebês saudáveis em diferentes países para mapear quando os marcos motores costumam acontecer. Para “andar sozinho” especificamente, a faixa observada — do percentil 1 ao percentil 99 — vai de 8,2 a 17,6 meses[1]. Ou seja: bebês perfeitamente saudáveis podem começar a andar ainda no oitavo mês, e outros, igualmente saudáveis, só depois de completar um ano e meio. Quando você lê por aí que o normal é “entre 9 e 18 meses”, está lendo uma versão arredondada e simplificada desse número original — útil como referência rápida, mas não o dado exato do estudo.

Também é muito comum ouvir que o bebê “deveria” andar perto do primeiro aniversário. Fontes pediátricas descrevem que muitos bebês realmente começam a andar por volta dos 12 meses, mas fazem questão de reforçar que é normal começar antes ou depois disso[3]. Não é uma média calculada — é só o ponto em que, na prática, uma parcela grande das famílias vê os primeiros passos acontecerem. Um bebê que anda aos 10 meses não está “adiantado” em um sentido que exija comemoração especial, e um bebê que só anda aos 16 ou 17 meses não está, só por isso, atrasado.

Os estágios até andar

Andar não costuma ser um evento repentino — é o resultado de uma sequência de conquistas motoras que vão se somando. Primeiro, o bebê aprende a ficar de pé se apoiando em algo (o sofá, a grade do berço, as pernas de um adulto). Depois vem o “cruising”: ele se desloca lateralmente segurando em móveis, ganhando equilíbrio e força nas pernas. Em algum momento, solta o apoio por alguns instantes e dá os primeiros passos sozinho — geralmente poucos, meio cambaleantes, muitas vezes terminando sentado. Com a prática, esses passos vão se tornando mais firmes e confiantes, até o bebê andar com naturalidade pela casa[3][1].

Vale destacar que, fora o marco “andar sozinho”, não há números precisos e confirmados para cada uma dessas etapas — o que importa observar é a progressão (o bebê está ficando mais firme? está tentando coisas novas?), não uma data exata.

Uma dúvida comum é se pular a fase de engatinhar atrasa o andar. O mesmo estudo da OMS encontrou uma sequência bastante fixa em 5 dos 6 marcos motores avaliados — mas o engatinhar foi justamente o marco mais frequentemente alterado ou pulado dentro dessa sequência, com muitos bebês indo direto de sentar para ficar em pé e andar, sem nunca engatinhar da forma clássica[1]. Ou seja: não engatinhar, por si só, não é sinal de que o andar vai demorar mais para acontecer.

Como estimular o andar com segurança

A melhor forma de apoiar essa fase é dar espaço: tempo supervisionado no chão para o bebê se movimentar livremente, e a possibilidade de se apoiar nas suas mãos ou em móveis estáveis quando ele mesmo demonstrar interesse em ficar de pé e se deslocar segurando neles. Não existe produto, exercício ou técnica com comprovação de que acelera o andar — o ritmo de cada bebê depende do próprio desenvolvimento neuromuscular, não de estímulo externo[3][4][6].

Andadores: por que evitar

Aquele andador com rodinhas, tão comum em gerações anteriores, tem uma reputação que a evidência não sustenta. Segundo a Academia Americana de Pediatria (AAP), andadores não ajudam o bebê a andar mais cedo — pelo contrário, podem atrasar o momento em que ele começa a caminhar. Uma explicação possível é que eles reduzem as oportunidades do bebê de praticar equilíbrio e fortalecer as pernas por conta própria[4].

Há também um problema de segurança bem documentado. Um levantamento publicado na revista Pediatrics estimou cerca de 231.000 atendimentos em prontos-socorros nos Estados Unidos, entre 1990 e 2014, relacionados a lesões causadas por andadores infantis — quase três quartos (cerca de 74%) envolvendo quedas de escada[5]. Com base nesse histórico, a AAP defende, como posição de política pública nos Estados Unidos, o fim da fabricação e da venda de andadores com rodas naquele país[5].

É importante não misturar essa posição americana com o cenário brasileiro. Aqui, entidades como a SOPERJ — citando orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Ministério da Saúde — também recomendam não usar andadores, mas como orientação clínica de saúde infantil, não como uma proposta de proibição legal de fabricação[6]. Ou seja: o alerta é o mesmo (não usar), mas o tipo de recomendação é diferente em cada país. De qualquer forma, entre uma posição e outra, o caminho mais seguro é o mesmo: pular o andador e deixar o bebê explorar o chão com supervisão, segurando em móveis estáveis e nas suas mãos quando quiser praticar.

Pé chato: quase sempre normal

É comum a mãe notar que a plantinha do pé do bebê parece completamente lisa, sem nenhum arco visível, e se preocupar. Segundo a Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica (SBOP), isso é normal: quase todos os bebês nascem com os pés aparentemente “chatos”, porque o arco plantar ainda não está formado. Na maioria das crianças, esse arco vai se desenvolvendo espontaneamente a partir dos 2 anos de idade, e esse processo pode continuar até depois dos 6 anos[7].

Os sinais que justificam avaliação especializada são bem específicos: dor constante no pé, uma deformidade que vai piorando com o tempo, ou a ausência de qualquer formação de arco por volta dos 8-9 anos de idade[7]. Fora essas situações, pé chato na primeira infância costuma ser apenas uma etapa do desenvolvimento — não é sinal de problema ortopédico nem exige tratamento.

Andar na ponta dos pés

Nas primeiras semanas e meses depois que o bebê começa a andar, é comum vê-lo caminhar na ponta dos pés parte do tempo — geralmente enquanto ainda está testando equilíbrio e postura. Fontes pediátricas descrevem esse padrão como esperado nessa fase inicial, sem indicar preocupação isolada. O que costuma justificar avaliação é o hábito persistir de forma constante depois dos 2 anos de idade; nesse caso, vale conversar com o pediatra para entender o que está por trás disso.

Quando procurar o pediatra

Na maioria dos casos, o desenvolvimento motor segue seu próprio ritmo sem intercorrências. Ainda assim, existem situações em que vale a pena conversar com o pediatra — não para gerar alarme, mas para dar tranquilidade ou, quando necessário, encaminhar cedo para avaliação:

  • O bebê ainda não anda sem apoio por volta dos 18 meses. Esse é o marco usado pelo checklist de desenvolvimento do CDC, alcançado por mais de 75% das crianças até essa idade[2].
  • O bebê parece não apoiar o peso nas pernas quando ajudado a ficar de pé. É algo simples de observar no dia a dia e vale mencionar na consulta.
  • Assimetria persistente — por exemplo, usar claramente mais um lado do corpo do que o outro ao se movimentar, de forma consistente ao longo do tempo.
  • Perda de uma habilidade que a criança já tinha — como parar de ficar em pé, de engatinhar ou de andar depois de já ter conquistado isso. De forma geral, o CDC recomenda conversar com o pediatra sempre que algum marco de desenvolvimento não é atingido dentro do esperado, ou quando há perda de uma habilidade já adquirida[2].

Nenhum desses pontos, isoladamente, significa um diagnóstico — são apenas sinais que merecem ser observados e conversados com quem acompanha a criança de perto. O pediatra é quem tem condições de avaliar o contexto completo e decidir se algum encaminhamento é necessário.

Vale um adendo importante: as janelas citadas aqui (como o estudo da OMS) foram estabelecidas com bebês nascidos a termo e saudáveis. Se o seu bebê nasceu prematuro, pediatras costumam considerar a idade corrigida — a idade cronológica menos as semanas que faltaram para completar a gestação — em vez da idade cronológica, geralmente até os 2 anos[8]. Vale conversar com o pediatra sobre o ritmo esperado de desenvolvimento para o caso específico do seu bebê.

Quem pode ajudar

O pediatra que acompanha a criança é sempre o ponto de partida certo para qualquer dúvida sobre desenvolvimento motor — seja para confirmar que tudo está dentro do esperado, seja para investigar algo com mais cuidado quando um dos sinais acima aparece. Levar as observações do dia a dia (quando o bebê começou cada etapa, o que você notou de diferente) ajuda bastante a consulta a ser mais precisa. As consultas de rotina — incluindo as marcadas na Caderneta de Saúde da Criança — são momentos naturais para levantar qualquer uma dessas dúvidas: você não precisa esperar até que algo pareça claramente errado para perguntar.

Fontes e revisão

Conteúdo preparado pela equipe editorial com base nas fontes citadas. Ainda não passou por revisão profissional especializada.

  1. WHO Multicentre Growth Reference Study Group. “WHO Motor Development Study: Windows of achievement for six gross motor development milestones.” Acta Paediatrica Supplement, 2006;450:86-95.
  2. CDC. “Learn the Signs. Act Early.” — Milestones checklist, 18 meses / 12 meses.
  3. HealthyChildren.org (AAP). “Movement Milestones in Babies 8 to 12 Months Old.”
  4. HealthyChildren.org (AAP). “Baby Walkers: A Dangerous Choice.”
  5. AAP/Pediatrics. “Infant Walker-Related Injuries in the United States.” Pediatrics, 2018;142(4):e20174332.
  6. SOPERJ. “Contraindicação do uso de andador em crianças com desenvolvimento neuropsicomotor típico” (citando orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria e do Ministério da Saúde).
  7. SBOP — Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica. “Pé Chato.”
  8. Sociedade Brasileira de Pediatria — “A criança prematura: suas peculiaridades e o papel da família”; American Academy of Pediatrics/HealthyChildren.org — “Corrected Age For Preemies.”

Publicação e revisão

Publicado em: 8 de agosto, 2026 · Atualizado em: 14 de agosto, 2026

  • 1 WHO Multicentre Growth Reference Study Group — WHO Motor Development Study: Windows of achievement for six gross motor development milestones, Acta Paediatrica Supplement, 2006;450:86-95
  • 2 CDC — Learn the Signs. Act Early. — Milestones checklist, 18 meses / 12 meses
  • 3 HealthyChildren.org (AAP) — Movement Milestones in Babies 8 to 12 Months Old
  • 4 HealthyChildren.org (AAP) — Baby Walkers: A Dangerous Choice
  • 5 AAP/Pediatrics — Infant Walker-Related Injuries in the United States, Pediatrics, 2018;142(4):e20174332
  • 6 SOPERJ — Contraindicação do uso de andador em crianças com desenvolvimento neuropsicomotor típico (citando orientações da SBP e do Ministério da Saúde)
  • 7 SBOP — Sociedade Brasileira de Ortopedia Pediátrica — Pé Chato
  • 8 Sociedade Brasileira de Pediatria — A criança prematura: suas peculiaridades e o papel da família — https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/primeira-infancia/a-crianca-prematura-suas-peculiaridades-e-o-papel-da-familia/ ; American Academy of Pediatrics/HealthyChildren.org — Corrected Age For Preemies — https://www.healthychildren.org/English/ages-stages/baby/preemie/Pages/Corrected-Age-For-Preemies.aspx
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