O tempo recomendado para investigar a fertilidade depende principalmente da idade da mulher. Com menos de 35 anos, o indicado é procurar avaliação depois de 12 meses de tentativas regulares sem sucesso. A partir dos 35 anos, esse prazo cai para 6 meses — e depois dos 40 anos, a investigação pode começar de imediato, sem esperar prazo nenhum, porque a fertilidade cai de forma mais acentuada nessa faixa.[1][2] A investigação também envolve o parceiro: o fator masculino está presente em cerca de 35% dos casos de infertilidade, e o exame inicial é simples e pouco invasivo.[4]
Em resumo
- Menos de 35 anos: 12 meses de tentativas regulares sem sucesso antes de buscar avaliação.[1][2]
- 35 a 39 anos: 6 meses de tentativas já costuma justificar avaliação.[1][2]
- 40 anos ou mais: vale procurar avaliação sem esperar nenhum prazo específico.[1][2]
- A investigação é do casal — o fator masculino está relacionado a cerca de 35% dos casos de infertilidade.[4]
- Ciclos muito irregulares ou ausentes, endometriose, SOP, cirurgias pélvicas prévias, doença inflamatória pélvica, alterações de tireoide ou prolactina e perdas gestacionais recorrentes podem antecipar a busca por orientação, independentemente da idade.[2]
O que pode estar acontecendo
Engravidar naturalmente envolve várias variáveis — momento do ciclo, saúde geral do casal, frequência das relações — e é comum levar alguns meses mesmo quando não há nenhuma dificuldade de fertilidade. Os prazos acima existem justamente para diferenciar “ainda dentro do esperado” de “vale a pena investigar”, e mudam com a idade porque a reserva ovariana diminui de forma progressiva, com queda mais acentuada a partir dos 35 anos e ainda maior depois dos 40.[1] “Tentativas regulares” costuma significar relações a cada 1-2 dias ou de 2 a 3 vezes por semana, sem método contraceptivo, ao longo do período — não é preciso acertar exatamente o dia da ovulação.[1] Vale lembrar: investigar não significa tratar automaticamente — muitas vezes o primeiro passo é só uma avaliação inicial, que pode inclusive mostrar que está tudo dentro do esperado.
O fator masculino também conta
É comum a investigação de fertilidade se concentrar só na mulher, mas o fator masculino está relacionado a cerca de 35% dos casos de infertilidade.[4] O espermograma é o exame inicial recomendado para o homem: é acessível, pouco invasivo e costuma ser um dos primeiros passos da investigação do casal — não precisa esperar os exames da mulher terminarem para pedir.[4]
O que esperar da primeira consulta
A primeira consulta costuma começar com uma conversa detalhada sobre o histórico do casal (ciclos menstruais, tentativas, cirurgias prévias, gestações anteriores) — vale já levar o parceiro, já que o espermograma pode ser pedido na mesma etapa, sem precisar esperar os exames da mulher. Para a mulher, é comum o médico solicitar ultrassom transvaginal (para observar útero e ovários), histerossalpingografia (para verificar se as trompas estão desobstruídas) e exames hormonais que avaliam a reserva ovariana.[3] Nenhum desses exames define um diagnóstico isolado — eles se complementam, e o especialista os interpreta em conjunto com a história clínica do casal. O prazo para reunir todos os resultados costuma levar algumas semanas, já que alguns exames hormonais dependem do dia certo do ciclo.
O que fazer agora
- Registre há quanto tempo vocês estão tentando engravidar de forma regular, sem método contraceptivo.
- Se estiver dentro do prazo esperado para a idade e sem condição pré-existente, sigam tentando e cuidem da saúde geral (alimentação, sono, estresse).
- Se já passou do prazo, há condição pré-existente conhecida, ou a mulher tem 40 anos ou mais, agendem consulta com ginecologista ou especialista em reprodução — de preferência já pensando na avaliação dos dois, incluindo o parceiro.
O que evitar
- Se autodiagnosticar como “infértil” com base em pesquisas na internet.
- Usar suplementos ou medicações “para engravidar” sem orientação médica.
- Adiar a consulta por vergonha, ou por achar que a investigação masculina é desnecessária ou constrangedora.[4]
Quando procurar ajuda
Procure um ginecologista ou especialista em reprodução ao completar o prazo correspondente à idade da mulher (12 meses abaixo de 35 anos, 6 meses entre 35 e 39 anos), ou antes disso se houver histórico de endometriose, SOP, cirurgias pélvicas prévias, doença inflamatória pélvica, ciclos muito irregulares ou ausentes, alterações de tireoide/prolactina ou perdas gestacionais recorrentes.[1][2] A partir dos 40 anos, procure avaliação sem esperar nenhum prazo.[1][2] Se houver dúvida ou receio em relação à fertilidade masculina, isso também é motivo válido para buscar avaliação — o espermograma pode ser solicitado a qualquer momento dessa investigação.[4]
Quem pode ajudar
Ginecologistas e especialistas em reprodução humana são os profissionais indicados para iniciar a investigação de fertilidade feminina, com exames de imagem e hormonais.[3] Para a investigação masculina, o urologista (ou o próprio especialista em reprodução) solicita e interpreta o espermograma.[4] O ideal é que o casal inicie a avaliação em conjunto, já que a infertilidade pode ter origem em um dos dois, em ambos, ou não ter causa identificada mesmo após investigação completa.
Fontes
- American Society for Reproductive Medicine (ASRM) — Fertility Evaluation of Infertile Women: A Committee Opinion (2021) — asrm.org
- Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) — Quais são os exames a serem solicitados para a mulher com dificuldade de engravidar? — sbra.com.br
- Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) — Infertilidade Feminina: Investigação e Manejo — sbra.com.br
- Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) — Espermograma e infertilidade masculina: por que alguns homens têm receio de fazer o exame — sbra.com.br
